Empreendedorismo

De executiva no Brasil a empreendedora na Itália: o caminho que levou à criação da Anapoli

Ana Cristina Dias Ramos Balestiero
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Por quase três décadas, Ana Cristina Dias Ramos Balestiero trabalhou no setor de seguros no Brasil, onde passou 12 anos na gerência de uma grande companhia. A rotina profissional estável foi interrompida após um assalto que desencadeou estresse pós-traumático e levou à decisão de deixar o país.

A mudança resultou em uma trajetória de imigração que passou pelos Estados Unidos e culminou em Napoli, na Itália, local que se tornaria o ponto de partida para a criação da empresa Anapoli Pesquisa Genealógica e Cidadania.

A abertura de um negócio próprio não fazia parte dos planos iniciais. A busca por uma vida funcional em outro país, somada à dupla cidadania, direcionou a empreendedora para o território italiano e posteriormente para um nicho crescente: pesquisa documental, reconstrução de árvores genealógicas e processos de reconhecimento de cidadania.

A empresa nasceu da atividade de pesquisa genealógica e evoluiu conforme a demanda do público. Hoje, a Anapoli atende descendentes brasileiros, argentinos, americanos e outras nacionalidades que buscam processos de reconhecimento por via judicial, além de oferecer serviços de tradução, asseveração documental, consultoria e apoio jurídico para obtenção de cidadania.

Ana Cristina Dias Ramos Balestiero
Arquivo pessoal

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Do Brasil aos Estados Unidos e à Itália

Por quase 30 anos, Ana Cristina construiu sua carreira no Brasil, com 12 desses anos dedicados a uma posição de gerente em uma grande empresa de seguros. Porém, após um assalto violento e um longo período de estresse pós-traumático, sua vida segura e estruturada foi desestabilizada.

“O ponto de ruptura veio quando a vida blindada se tornou insustentável. Deixei para trás uma carreira consolidada e uma vida estável, buscando um recomeço em Orlando, EUA”, conta a fundadora da Anapoli.

Após um ano e meio nos Estados Unidos, Ana percebeu que a adaptação não se concretizou e, utilizando sua dupla cidadania, decidiu mudar-se para Napoli, na Itália, cidade natal de sua mãe.

“A decisão seguinte foi mais pessoal e estratégica: mudar-me para Napoli, Itália, um país que eu já conhecia e admirava”, relembra Ana Cristina.

O nascimento da Anapoli

Já na Itália, Ana retomou uma atividade que a acompanhava desde a juventude: a pesquisa genealógica. O interesse por documentos históricos e paleografia resultou na criação da Anapoli, empresa especializada em reconstrução de árvores genealógicas, busca de registros civis e eclesiásticos, tradução de documentos e montagem de pastas para processos de cidadania. O nome da empresa é uma homenagem à cidade de Napoli e ao legado familiar.

Com o tempo, o trabalho de pesquisa atraiu clientes interessados também no reconhecimento jurídico da cidadania italiana. A expansão ocorreu de forma orgânica, impulsionada pela confiança de quem já havia contratado o serviço inicial.

Hoje, a empresa atende brasileiros, argentinos, americanos e descendentes de outras nacionalidades que buscam o reconhecimento por via judicial, além de oferecer apostilamento, traduções juramentadas e assessoria documental.

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Modelo de trabalho baseado em autonomia do cliente

Hoje, a Anapoli atende clientes de diversas nacionalidades, como brasileiros, argentinos e americanos, que buscam o reconhecimento da cidadania italiana. O diferencial da empresa está fundamentado na transparência e ética, com uma abordagem direta e sem compromissos prévios, dando total liberdade aos clientes.

“Não exigimos assinatura de contrato antes que toda a documentação esteja pronta. O cliente pode decidir se deseja contratar a Anapoli para a montagem da pasta ou fazer por conta própria”, explica a fundadora da Anapoli.

Segundo Ana, todos os processos finalizados até o momento tiveram resultado positivo, e a maior fonte de captação é o boca a boca.

Desafios e oportunidades de empreender na Itália

Empreender na Itália trouxe vários desafios iniciais, como a burocracia italiana, as barreiras linguísticas e a falta de padronização nos processos administrativos.

No entanto, a experiência adquirida foi fundamental para a expansão da Anapoli. Ana Cristina visa consolidar a empresa como referência em cidadania italiana, consultoria de investimentos imobiliários e consultoria jurídica, sempre com a transparência e ética que marcaram a trajetória da empresa até aqui.

Além disso, agora, a Anapoli se prepara para lançar um novo braço de negócios: a Anapoli Reconnection, que atuará no setor de investimentos imobiliários na Itália. A nova sede da empresa será no centro do país e atuará como elo de ligação para clientes interessados em financiamentos, empréstimos e investimentos imobiliários.

“A Itália oferece um potencial de mercado vasto. Muitas áreas ainda permanecem inexploradas, e novos tipos de negócios estão apenas começando”, avalia a empresária.

Ela também deixa um conselho para os brasileiros que desejam empreender fora do Brasil: “acredite no seu trabalho. O começo é sempre desafiador, especialmente em outro país, mas com ética, dedicação e amor pelo que faz, os resultados aparecem”.

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