Com o avanço das regulamentações globais e o aumento das exigências de compliance, a tendência é que plataformas financeiras e prestadores de serviços internacionais reforcem ainda mais os processos de validação empresarial.
Nesse cenário, empresas que operam internacionalmente precisam investir em documentação adequada, transparência societária e identificação completa de seus representantes. Justamente por isso, documentos como o Operating Agreement passaram a ganhar importância não apenas jurídica, mas também operacional.
Muito comum em LLCs dos Estados Unidos, o Operating Agreement funciona como um contrato operacional da empresa, definindo quem são os sócios, administradores e representantes legais do negócio. Na prática, ele também se tornou um dos principais documentos utilizados por bancos, fintechs e plataformas de pagamentos internacionais para validar a estrutura societária de empresas estrangeiras.
Além de facilitar processos de cadastro e verificação, o documento ajuda a trazer mais segurança para operações financeiras, reduzindo riscos de golpes, fraudes e inconsistências cadastrais.


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+ Operating Agreement: o que é, para que serve e por que esse documento é necessário
O que é um Operating Agreement?
O Operating Agreement é um documento interno utilizado por empresas do tipo LLC (Limited Liability Company) nos Estados Unidos. Ele estabelece as regras de funcionamento da empresa, define participações societárias, poderes de gestão e critérios de tomada de decisão.
Segundo o advogado Renato Lellis, o documento também possui uma função importante em processos de compliance e validação empresarial.
“O contrato operacional de uma LLC é o principal documento interno da empresa que define quem são os sócios e quem são os administradores. Para fins práticos, especialmente em processos de cadastro, compliance e validação, ele funciona como o documento que comprova a estrutura societária e os poderes de representação da empresa”, explica Renato Lellis.
Por que esse documento é importante para pagamentos internacionais?
Nos últimos anos, empresas de pagamentos, bancos e plataformas financeiras passaram a reforçar exigências relacionadas à identificação de clientes corporativos, especialmente em operações cross border.
Isso acontece porque transações internacionais envolvem riscos maiores relacionados à lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e uso indevido de estruturas empresariais pouco transparentes.
Por esse motivo, empresas brasileiras que contratam serviços financeiros internacionais precisam apresentar documentos capazes de comprovar:
- quem são os sócios da empresa;
- quem possui poderes de administração;
- qual é a estrutura societária;
- quem são os beneficiários finais da operação.
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Identificação completa ajuda a reduzir fraudes e golpes
A identificação adequada da estrutura empresarial também traz benefícios diretos para empresas brasileiras que atuam com pagamentos internacionais.
Ao exigir documentação completa de parceiros, merchants e empresas estrangeiras, prestadores de serviços financeiros conseguem reduzir riscos operacionais e aumentar a segurança das transações.
Segundo Renato Lellis, a ausência de um Operating Agreement pode gerar insegurança jurídica e dificultar validações cadastrais.
“Sem um Operating Agreement, a empresa fica sem um documento formal que identifique claramente seus sócios e administradores, o que gera uma série de riscos”, afirma.
Ele destaca que a falta desse tipo de documento pode impedir ou atrasar processos importantes.
“Do ponto de vista prático, isso pode impedir ou atrasar a abertura de contas bancárias, o acesso a crédito e o cadastro em plataformas financeiras, já que essas instituições normalmente exigem um documento que identifique a estrutura societária e os responsáveis pela empresa”, completa.
Além disso, estruturas empresariais pouco transparentes podem facilitar golpes envolvendo empresas de fachada, representação indevida e fraudes documentais.
Operating Agreement também fortalece compliance
Outro ponto importante é que o documento ajuda empresas a atender exigências regulatórias e processos de compliance cada vez mais rígidos.
Isso inclui validações de KYC (Know Your Customer) e KYB (Know Your Business), comuns em fintechs, bancos digitais, gateways de pagamento e plataformas internacionais.
Segundo Renato Lellis, o documento também ajuda a reforçar a separação patrimonial entre empresa e sócios.
“Ele reforça a separação patrimonial entre a empresa e seus sócios, o que é fundamental para a limitação de responsabilidade”, explica.
Além disso, o advogado destaca que o contrato operacional reduz ambiguidades internas e ajuda a prevenir disputas societárias.
“Ao definir previamente regras sobre gestão, distribuição de lucros e saída de membros, o documento reduz significativamente ambiguidades e interpretações divergentes”, afirma.
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Quais cláusulas são essenciais em um Operating Agreement?
Um Operating Agreement bem estruturado deve conter informações claras sobre a empresa e seus responsáveis. Entre os principais pontos estão:
- identificação dos sócios e suas participações;
- definição dos administradores e seus poderes;
- regras de governança e tomada de decisão;
- distribuição de lucros;
- entrada e saída de sócios;
- regras para transferência de participação societária;
- mecanismos de resolução de conflitos.
Segundo Renato Lellis, essas cláusulas ajudam não apenas na organização interna da empresa, mas também na validação perante terceiros.
“Essas cláusulas garantem não apenas organização interna, mas também segurança para terceiros que precisam validar a empresa”, destaca.
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