Empreendedorismo

De jornalista no Brasil a guia brasileira em Londres: a história de Monica O’May e a London London

London London
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A brasileira Monica O’May construiu uma carreira de mais de três décadas no jornalismo antes de decidir mudar de país. Em 2013, ela se mudou para Londres com a ideia inicial de fazer uma pausa na rotina profissional e aproveitar um período de transição na vida.

O plano era passar um tempo na cidade, conhecer melhor a cultura local e decidir os próximos passos com calma. No entanto, poucos meses depois da mudança, uma experiência durante uma viagem pela Europa acabou redefinindo seu caminho profissional.

Hoje, Monica é fundadora da London London, empresa especializada em passeios personalizados por Londres para turistas brasileiros.

“Londres é uma cidade muito dinâmica. Sempre tem algo novo acontecendo, algum lugar diferente para descobrir. Isso faz com que o trabalho também seja sempre diferente, porque cada passeio acaba trazendo histórias novas”, afirma Monica O’May.

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Reprodução/Instagram/londonlondonguia

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Mudança de país

Antes de empreender no turismo, Monica O’May trabalhou por mais de 35 anos no jornalismo, principalmente em televisão e jornais impressos.

“Eu fui jornalista por mais de 35 anos. Trabalhei muito tempo em televisão e também em jornal. Passei grande parte da carreira entre Porto Alegre e São Paulo, sempre em redação, com aquela rotina intensa que o jornalismo tem. Foi uma experiência muito rica, mas em determinado momento senti que precisava mudar um pouco o ritmo”, lembra a guia de turismo.

A mudança para Londres também teve um motivo pessoal importante: a família. “Minha filha já morava na Europa havia alguns anos. Ela é minha única filha, então a decisão de vir para cá também teve muito a ver com isso. Além disso, meu pai era britânico, então eu já tinha cidadania e isso facilitou a mudança”, conta Mônica.

Como surgiu a London London?

A ideia de trabalhar com turismo surgiu de forma inesperada durante uma viagem. Pouco tempo depois de chegar à Europa, Monica decidiu visitar Berlim. Durante o planejamento da viagem, encontrou na internet um serviço que chamou sua atenção: guias brasileiros que acompanhavam turistas pela cidade.

“Quando fui para Berlim, vi na internet ‘Guia brasileira em Berlim’. Eu nem sabia que existia esse tipo de serviço. Achei interessante e resolvi contratar o passeio. Durante o tour, enquanto ela mostrava a cidade e explicava a história dos lugares, eu comecei a pensar que aquilo era exatamente o que eu já fazia em Londres para amigos e conhecidos”, explica a guia.

Até então, Monica costumava ajudar brasileiros que viajavam para a capital britânica de forma informal: “eu sempre gostei muito de Londres e conhecia bastante a cidade. Quando alguém do Brasil vinha para cá, as pessoas perguntavam se eu podia ajudar, dar dicas ou acompanhar em algum passeio. Era uma coisa natural, que eu fazia sem pensar muito. Foi naquele tour em Berlim que eu percebi que aquilo poderia virar um trabalho.”

A ideia se transformou rapidamente em um projeto profissional. A partir disso, Monica começou a estudar mais a história de Londres, montar roteiros e estruturar o serviço que iria prestar. Poucos meses depois da mudança, o novo negócio já estava em funcionamento.

“Cinco meses depois que eu cheguei em Londres, eu já estava trabalhando com isso. No começo era mais simples, acompanhando pequenos grupos e amigos de amigos. Aos poucos fui criando roteiros mais estruturados, estudando a história da cidade e entendendo melhor o que os turistas brasileiros buscavam”, comenta a empreendedora.

Vale destacar que o nome da empresa surgiu a partir de uma referência cultural brasileira. Monica O’May recorda que a música “London London”, lançada pelo Caetano Veloso em 1971, sempre ficava em sua cabeça quando visitava a cidade a passeio. Assim, na hora de nomear a empresa, decidiu homenagear a canção.

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Passeios personalizados para turistas brasileiros

London London
Reprodução/Instagram/londonlondonguia

Hoje, a London London atende exclusivamente turistas brasileiros que visitam a capital britânica. Os passeios são planejados de forma personalizada, levando em conta o perfil de cada grupo.

“Eu não trabalho com aqueles grupos grandes, com guia de bandeirinha e roteiro correndo de um lugar para outro. Prefiro fazer passeios mais tranquilos, no ritmo das pessoas. Normalmente são grupos pequenos e cada tour é planejado de acordo com os interesses de quem está viajando”, reforça a guia Monica.

Antes mesmo da viagem começar, ela conversa com os clientes para entender melhor as expectativas. O seu processo começa com o agendamento de uma videochamada, na qual ela já adianta várias dicas relacionadas a cidade, transporte, museus e restaurantes.

Nessa oportunidade, a guia também pergunta o que os clientes gostam de fazer, quais são os interesses do grupo, se preferem história, cultura, compras ou gastronomia. Tudo isso pensando em montar um passeio que faça sentido para cada pessoa.

Ao longo dos anos, Monica já recebeu visitantes de praticamente todas as regiões do Brasil. “Eu já atendi gente do Acre ao Rio Grande do Sul. São famílias, casais, grupos de amigos, estudantes e até pessoas mais velhas que estão realizando o sonho de conhecer Londres. Cada grupo é diferente, então eu procuro adaptar o passeio para que a experiência seja realmente interessante para eles”, acrescenta a empreendedora.

Principais desafios de empreender no exterior

Empreender no exterior trouxe oportunidades, mas também exigiu adaptação a uma nova realidade profissional. Ao iniciar a London London, Monica precisou estruturar o negócio praticamente do zero, em um mercado diferente daquele em que havia construído sua carreira no Brasil.

No início, um dos principais desafios foi tornar o serviço conhecido entre turistas brasileiros que planejavam viagens para Londres.

“Quando comecei, quase ninguém conhecia esse tipo de serviço. Hoje é muito mais comum procurar um guia brasileiro em viagens internacionais, mas naquela época não era algo tão difundido. Então boa parte do trabalho no começo foi explicar o que eu fazia e mostrar para as pessoas como esse tipo de passeio poderia ajudar durante a viagem”, explica Monica.

Outro ponto importante foi aprender a administrar todas as etapas de um negócio independente. Isso porque, quando você empreende, precisa fazer tudo: atender clientes, organizar agenda, divulgar o trabalho, cuidar da parte administrativa e ainda prestar o serviço. A guia resume: “no começo é um processo de aprendizado constante”.

A construção de uma rede de clientes também aconteceu de forma gradual. Grande parte do crescimento do negócio veio por indicação de pessoas que já haviam feito os passeios. “No início muitos clientes eram amigos ou conhecidos de amigos. Aos poucos, quem fazia o passeio indicava para outras pessoas. Esse boca a boca foi muito importante para o crescimento da empresa”, aponta Monica.

Além disso, trabalhar com turismo exige lidar com variáveis que nem sempre podem ser controladas, como mudanças no fluxo de visitantes ou períodos de menor demanda.

“O turismo é uma área muito ligada ao momento econômico e às condições de viagem. Existem épocas com mais movimento e outras mais tranquilas. Quem trabalha com isso precisa aprender a organizar a agenda e se adaptar a essas variações”, reforça a empreendedora.

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Conselhos para quem quer empreender no exterior

Depois de mais de uma década vivendo e trabalhando em Londres, Monica costuma compartilhar algumas recomendações com brasileiros interessados em seguir um caminho semelhante.

O primeiro conselho é planejamento financeiro: “eu sempre digo que quem pensa em vir para fora precisa vir com uma boa reserva financeira. No começo tudo é novo, existem muitos custos e pode levar um tempo até que as coisas se estabilizem. Ter essa segurança ajuda muito nesse período inicial”.

Outro ponto é manter expectativas realistas. Segundo ela, muitas pessoas têm uma visão idealizada sobre morar no exterior. “Muita gente chega com uma ideia muito idealizada da vida no exterior. A experiência pode ser muito positiva, mas também exige esforço, adaptação e paciência. Começar do zero em outro país é um processo que leva tempo”, aconselha a guia.

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